03/06/2020

Minas Gerais, a locomotiva da energia solar do brasil

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Artigo publicado na revista O Setor Elétrico

Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem”, citando um dos sucessos do compositor Raul Seixas, o trem de mineiro vem cadenciando o ritmo do mercado de energia solar na geração distribuída nos últimos anos. A locomotiva de Minas Gerais atingiu alta velocidade e, recentemente, conquistou a marca de 600 megawatts (MW) de potência instalada nos pequenos sistemas instalados nos telhados e terrenos de residências, empresas e poder público.
 
Isso significa mais de 54 mil conexões instaladas no estado mineiro, abrangendo em torno de 96,5% dos 824 municípios da região. E, ao contrário da referida canção, o trem está longe de parar na próxima estação. 
 
De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Minas também é destaque no Top 5 Estados na geração centralizada solar no que tange à potência instalada e status das usinas fotovoltaicas dos leilões do mercado regulado. Na geração distribuída, representa 20% da potência instalada no País e, no ranking municipal, detém duas cidades entre as maiores produtoras no Brasil: Uberlândia (2°) e Belo Horizonte (10°).
 
No cenário internacional, esse crescimento exponencial da tecnologia fotovoltaica tem contribuído para que, gradativamente, o Brasil melhore sua posição no ranking mundial dos países produtores de energia solar. Os últimos dados mostram que a locomotiva brasileira entrou no pelotão de elite da corrida e ocupa a 16° posição mundial, e neste mesmo cenário, Minas novamente se destaca com mais de um quarto da energia gerada.
 
Na liderança mundial, a China fechou o último ano com uma capacidade acumulada de mais 205 GW, o que representa o triplo fornecido pelo Japão, segundo colocado. Na terceira colocação, os Estados Unidos alcançaram a marca de 60 GW, de acordo com o ranking da Agência Internacional de Recurso Renováveis (Irena).
 
Retornando à estrada de ferro com cheiro de minério, o caminho solar mostra alguns pontos interessantes que ajudaram no desenvolvimento e fortalecimento do setor no Estado. Indubitavelmente, um dos pilares foi a segurança jurídica proporcionada pela homologação da lei 22.549/17, que garante isenção do ICMS para usinas de até 5 MW. O pioneirismo e vanguarda dos representantes do povo fizeram com que Minas fosse o primeiro a oferecer a isenção de ICMS sobre energia solar gerada pelo consumidor. O apoio do Estado no fomento do mercado não perdeu folego durante esses anos, apesar da recessão e alto endividamento da administração estadual.
 
Recentemente, foi lançado o mapa de disponibilidade de energia fotovoltaica e, desta forma, foi aberto ao público em geral uma nova ferramenta para consultas online que indica a possibilidade de novas conexões para usinas fotovoltaicas de geração distribuída. Novamente é uma solução pioneira no setor elétrico brasileiro, visto que o sistema pretende reduzir o prazo atual de 60 dias para apenas poucos cliques, além de possibilitar aos clientes localizar pontos com maior viabilidade técnica, menor custo e prazo para conexão.
 
Entre planícies, planaltos, montanhas e colinas, a energia solar mineira saltou de apenas 4 sistemas instalados no ano de 2012 para os exatos 35.714 ao final de 2019, cerca de 20,8% do total de instalações no país, segundo dados da ANEEL. Outro ponto reluzente nesse belo horizonte é o estádio Governador Magalhaes Pinto, codinome de Mineirão, que foi o primeiro estádio do mundo a sediar uma partida oficial de copa do mundo com uma usina solar em operação. Hoje, o Mineirão tem 6 mil módulos instalados com capacidade de produção de 1,42MWp.
 
Infelizmente nem tudo são flores para se apreciar nessa travessia. O ano de 2020 foi marcado pelas grandes dificuldades sanitárias e econômicas causadas pelo covid-19, em todos os países do mundo. O Brasil e Minas não ficaram fora dos fortes impactos dessa devastadora pandemia que, além de ceifar o bem mais precioso do ser humano, que são as vidas de membros amados de cada família atingida, tem estreita ligação com os bens de produção e de consumo da economia.
 
E lá vai o trem solar cortando as dificuldades e correndo sobre os trilhos da esperança, no contínuo crescimento. E não é a primeira vez que ocorre tal evento no setor solar. Em meio à crise de 2015 e 2016, onde o produto interno bruto (PIB) brasileiro encolheu 3,8 a 3,6%, respectivamente, o setor impulsionou a economia brasileira com um crescimento maior do que 100%.
 
Em 2020 a história parece se repetir. Em meio a crise sanitária e econômica mundial e sem precedentes, novamente o PIB tem uma projeção de recuo de quase 6,4% e o mercado de energia solar na geração distribuída teve alta de 77,83%, no primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados fornecidos foram publicados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgados em junho desse ano.
 
Diferentemente das estradas férreas que mudaram com o passar dos anos e agora permanecem na mente nostálgica do povo que viveu aquele tempo, o mercado solar vai permanecer durante séculos e vai contribuir com a revolução energética mundial.
 
O mercado continua pujante e prospera mesmo com o passar das crises ano a ano. As empresas da cadeia expandem o raio de atuação, antecipam lançamentos de novos produtos, investem em plataformas virtuais de relacionamento, constroem usinas de geração compartilhada sob novos modelos de negócios e por aí vai. São tantos movimentos desde integradores, passando por distribuidores e fabricantes, influenciadores digitais, vistos no mercado que não dorme e que não tem tendência de se adormecer tão cedo. Um grato sinal dos novos tempos. Ainda são tempos onde o sol brilha sem cessar na estrada da locomotiva fotovoltaica.
 
Bruno Catta Preta – Gerente comercial da Genyx Solar Power
 
Rodrigo Sauaia - CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR)
 
Ronaldo Koloszuk - presidente do Conselho e Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR)
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