01/02/2021

Oportunidades e desafios do setor solar na retomada da economia

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Artigo publicado na revista Fotovolt
 
O impacto da pandemia foi diferente, em intensidade e profundidade, entre os diversos setores da economia. Felizmente, no setor solar fotovoltaico, foi menor do que em outros, como os de shopping centers, de restaurantes e de turismo, por exemplo. O mercado solar fotovoltaico vivenciou forte retração nos primeiros meses da pandemia. Em junho, atingimos o ponto mais baixo do período, com a importação de módulos fotovoltaicos caindo ao seu menor patamar de 2020: apenas 141 MW, frente aos 575 MW registrados em março.
 
Os projetos sofreram com todas as incertezas decorrentes do avanço da pandemia de Covid-19, cujos impactos abrangeram desde uma maior dificuldade de acesso ao crédito até as intensas oscilações cambiais. Mas a retomada tem sido bastante rápida. Em setembro de 2020, entraram no País 533 MW, quase o dobro importado no mês de agosto. Os números, no Brasil e no mundo, revelam um vigor surpreendente da demanda por energias renováveis, com destaque para a solar fotovoltaica.
 
Com a aceleração da retomada, o grande desafio atual é a normalização da cadeia de suprimentos. A escassez de matérias-primas vem atingindo a indústria de todos os países. No Brasil, por exemplo, segundo pesquisa da FGV, 40% da indústria e 47% do varejo enfrentam falta de produtos ou dificuldade de entrega no final de 2020.
 
A indústria solar fotovoltaica utiliza insumos comuns a outros setores, como vidro e o alumínio, além de materiais utilizados em embalagens. Na China, principal fabricante mundial de equipamentos fotovoltaicos, a falta de vidro impactou a cadeia produtiva, com escassez e aumento de preços. Quando foi epicentro da pandemia, em fevereiro de 2020, o país teve fábricas paralisadas, mas agora enfrenta uma forte pressão por novos pedidos, em todos os setores de sua economia, incluindo o setor solar fotovoltaico. De uma maneira geral, o temor pelo desabastecimento gera pedidos maiores e uma pressão adicional sobre a produção.
 
O mercado solar fotovoltaico é globalizado e internacional. O transporte marítimo, um dos mais afetados durante a pandemia, sofreu restrições em função das medidas sanitárias de contenção. Isso provocou a redução das frotas de navios e o encarecimento dos fretes. Com a chegada da Covid-19, o comercio internacional retraiu-se e o foco da atividade econômica voltou-se para o fornecimento de bens e serviços essenciais nos mercados internos. Foram grandes e profundos os impactos da pandemia na desorganização de todas as cadeias produtivas e na logística em nível global.
 
Com o avanço de vacinas e o avanço da imunização da população mundial, a situação tende a se regularizar, mas isso demandará algum tempo. Por isso, o momento agora é de muita paciência e foco na cooperação entre indústrias, distribuidores, integradores e instaladores. Estamos todos do mesmo lado, buscando superar a pandemia e fortalecer o mercado e o setor solar fotovoltaico no Brasil.
 
Nesse contexto, a nação brasileira segue como uma das estrelas mais brilhantes na constelação do mercado global, dado o seu enorme potencial para a tecnologia, mercado interno que demanda cada vez mais energia elétrica e competitividade crescente da energia solar. O Brasil permanece entre as prioridades do setor solar fotovoltaico no mundo e seguirá esse caminho de sucesso. Com soluções práticas e pragmáticas no dia a dia, o mercado, com a liderança da ABSOLAR, tem colaborado para a retomada da economia. Resiliência, coragem e capacidade técnica para atingir estes objetivos não nos faltam.

Por:
Gustavo Tegon – Diretor da Canadian Solar
Rodrigo Sauaia – CEO da ABSOLAR
Ronaldo Koloszuk – Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR
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