24/04/2020

Webinar apresenta os impactos do COVID-19 no setor solar fotovoltaico em âmbito global

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Por: Nathália Buzetto
 
O isolamento social e a crise econômica provocada pelos efeitos da pandemia do COVID-19 estão tendo sérios impactos no setor solar fotovoltaico no mundo todo, tanto em termos de operações quanto de investimentos, mas há uma luz no fim do túnel. Um webinar realizado ontem (23/04) mostrou que o setor está pronto para retomar seu crescimento e contribuir para uma recuperação econômica de forma sustentável.

O Global Solar Council (GSC), entidade cofundada pela ABSOLAR que representa todas as associações do setor em âmbito mundial, realizou uma pesquisa global para avaliar os efeitos da pandemia no setor solar FV e como os governos locais podem dar suporte a ele. Os resultados foram apresentados no “GSC Webinar – How is COVID-19 impacting the global PV industry?”, que contou com a participação de associações da Ásia, Europa e Itália. As entidades apresentaram suas propostas para a retomada dos negócios pós-COVID-19 e estímulo ao investimento na energia solar FV.

Confira abaixo os principais destaques do webinar:
 

Profissionais enfrentam dificuldades e esperam medidas governamentais para recuperação econômica

O evento iniciou com o presidente do GSC, Gianni Chianetta, apresentando os resultados da pesquisa. Ela foi respondida por empresas do setor solar FV em mais de 60 países, dentre projetistas, integradores, instaladores, fabricantes de componentes e materiais elétricos, distribuidores etc., e mostrou a interrupção das operações, redução de pedidos em torno de 75% e perda de investimentos.

Sobre os impactos nas operações:
  • Para 57% dos entrevistados, a maior dificuldade operacional no momento é a restrição de trabalho e mobilidade, que inclui visitas à clientes e plantas, viagens, falta de combustível e transporte e medidas de confinamento;
  • 35% estão tendo dificuldades em fechar novos contratos;
  • 18% relataram problemas com logística e o estoque de produtos e materiais.Chianetta destacou a necessidade das empresas retomarem seus negócios o mais breve possível, seguindo as normas de segurança e saúde, e a atenção que os governos devem dar ao setor, estimulando o investimento em fontes limpas e renováveis, para que essa crise possa dar origem a uma nova “economia verde”.
 

Estudo destaca a importância da fonte solar FV no cenário global

O diretor geral da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), Francesco La Camera, apresentou o “Global Renewables Outlook “, estudo recém-publicado pela IRENA que destaca o papel da fonte solar fotovoltaica e outras energias limpas na transição energética global.

O estudo mostra que, em 2017, as energias renováveis representavam 25% da matriz elétrica mundial. A perspectiva para 2050 é que elas passem a representar 86%. O cenário prevê uma grande queda no uso de fontes não renováveis a partir de 2030. Isso se deve ao fato dos países estarem estabelecendo metas para alcançar os objetivos da Agenda 2030 da ONU e do Acordo de Paris. A previsão é que, com a transição energética, em 2050 haverá mais de 40 milhões de empregos em energias renováveis no mundo, quase metade deles no setor solar FV, principalmente na área de operação e manutenção.

La Camera afirmou que, colocando a transição energética em curso e a energia solar FV no centro das políticas governamentais, é possível fazer a economia mundial crescer, criando milhões de empregos e melhorando as condições de vida das pessoas.

Aristotelis Chantavas, presidente da SolarPower Europe, também destacou a oportunidade dos governos aproveitarem o momento de recuperação econômica para se concentrar nas mudanças climáticas e acelerar as decisões para a transição energética. “Como associação, estamos pedindo apoio no acesso ao financiamento para a indústria, na garantia de um ecossistema favorável para novos projetos solares FV, no impulsionamento da implantação de projetos de larga-escala e o fomento de novos empregos no setor”.
 

Retomada do mercado asiático

O secretário-geral da Associação da Indústria Fotovoltaica Asiática (APVIA), Sulaiman Shaari destacou que os principais produtores e consumidores da tecnologia FV são da própria Ásia, principalmente da China. O fechamento temporário das fábricas chinesas impactou o mercado solar FV global. Recentemente, elas iniciaram a reabertura mas, segundo Shaari, para o setor recuperar seu crescimento, é necessário uma visão global interligada, em que cada país trabalhe medidas como: políticas mais flexíveis e renegociação de termos, preços e custos de operação.
 

Itália se prepara para recuperação econômica

Um dos países mais afetados pelo COVID-19 reabriu as portas de algumas de suas fábricas de módulos e equipamentos no dia 20 de abril. A expectativa é que mais negócios possam ser retomados a partir do dia 04 de maio, como as instalações de sistemas FV.

Paolo Rocco Viscontini, presidente da Italia Solare, comentou: "A Itália está sofrendo muito com os efeitos causados pela pandemia. Corremos o risco de ver muitas empresas do setor solar FV fecharem, principalmente as de pequeno e médio porte.”.

A Italia Solare está pressionando o governo a acelerar processos e concluir as revisões das regulamentações do mercado elétrico, a fim de criar condições para uma recuperação efetiva. A associação encaminhou uma carta ao primeiro ministro pedindo “iniciativas verdes” para a recuperação econômica, considerando a solar FV como um dos pilares para essa reestruturação.
 

Governos têm papel fundamental no momento pós-crise

A importância do papel dos governos e das instituições financeiras no cenário atual foi destacado pelos participantes da pesquisa e palestrantes do webinar. As empresas do ramo solar fotovoltaico estão ansiosas para ver políticas de recuperação econômica que ajudem-nas a retomar suas operações o mais breve possível, mas também a longo prazo com o objetivo de acelerar a transição energética para as fontes renováveis.

Os palestrantes se mostraram a favor da redução da carga tributária para instalações solares FV, financiamentos estatais voltados ao setor, empréstimos não reembolsáveis e créditos fiscais para as empresas. Na pesquisa, muitos entrevistados pediram redução da burocracia e encargos administrativos para acelerar os investimentos.
 

O que podemos esperar a curto prazo?

O Global Solar Council encaminhará os resultados da pesquisa aos governos dos mais de 60 países participantes e cobrará medidas.

No Brasil, a ABSOLAR apresentou recentemente uma proposta ao Ministério de Minas e Energia para redução da conta de luz dos brasileiros. Para saber mais, clique aqui
 
Para ter acesso aos slides e à gravação do webinar, acesse o site do GSC
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