04/10/2019

O futuro da energia solar

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Canal Bioenergia

Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Diretor da Solar Group.

Canal: A energia solar fotovoltaica vem ganhando mais espaço no Brasil. Na visão da ABSOLAR, por que há esse crescimento?

Ronaldo Koloszuk: O primeiro ponto é que a energia solar fotovoltaica é muito viável hoje. Atualmente o payback na geração distribuída varia entre três e sete anos, dependendo da região do país. Também há equipamentos com durabilidade que podem chegar a 35 anos e com prazo de garantia de 25 anos. Houve uma queda expressiva nos preços dos equipamentos que geram a energia solar. Por outro lado, também tivemos um aumento bem expressivo na conta de energia nos últimos 20 anos. Foi um crescimento de 527% na energia elétrica no Brasil nas últimas duas décadas, o que faz a brasileira a quinta mais cara do mundo.

A energia solar fotovoltaica cresce rapidamente no Brasil por que ela traz liberdade para o consumidor, que é preso ao monopólio das distribuidoras. Assim, quando ele coloca um sistema no seu telhado ele pode reduzir até 95% o valor da conta de luz, trazendo um sentimento de liberdade e desafogar o seu orçamento.

Canal: Qual tem crescido mais: a distribuída ou a centralizada?

Ronaldo: O que mais cresceu no Brasil até o momento foi a geração centralizada, que representa 2,1 Gw instalado e na matriz elétrica. Já na geração distribuída foi 1,1 Giga. Isso é reflexo dos grandes leilões. Essa tendência tende a se inverter. Segundo a Bloomberg, em 2050, serão 70 gigas de geração distribuída na matriz elétrica brasileira versus 54 Giga de energia centralizada. Neste momento a energia solar fotovoltaica representará 38% na matriz elétrica, onde será a número um.

Canal: Quantas usinas de geração centralizada possuem atualmente? Qual a produção e a capacidade instalada delas?

Ronaldo: Hoje são 73 projetos de geração centralizada na matriz elétrica brasileira contratados por meio de leilões de energia elétrica do Governo Federal, que representa 2103 Mw ou 2,1 Gw na nossa matriz. Os investimentos acumulados no Brasil nesse segmento são de aproximadamente R$ 23 bilhões com a criação de 60 mil empregos.

Canal: Qual a capacidade instalada de geração distribuída? Representa atender uma cidade de quantos mil habitantes?

Ronaldo: A capacidade instalada de geração distribuída é de hoje é de 1,1 g, que abastece cerca de 120 unidades consumidoras. Com essa geração é possível para atender toda uma cidade como Florianópolis (SC) e sobraria energia.

Canal: Quantas empresas hoje existem no Brasil de instalação de energia distribuída? Qual a importância dessas empresas?

Ronaldo: Hoje se tem no Brasil mais de dez mil empresas. Elas são conhecidas como integradoras, e são fundamentais na economia, pois geram emprego de qualidade e em diversos lugares do Brasil. Em qualquer cidade mais longe dos grandes centros terá engenheiros qualificados, fazendo projetos, instalando nos comércios, nas indústrias e nas residências.

Canal: Ainda há perspectivas de crescimento e aumento dessas empresas no Brasil?

Ronaldo: A ABSOLAR se preocupa com a qualificação dessas empresas mais do que do crescimento. Preocupamo-nos com que elas estejam qualificadas, cada vez mais bem treinadas. Mas existe perspectiva de crescimento por que hoje a energia solar fotovoltaica representa apenas 1% da matriz elétrica no Brasil. Em dez anos, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) acredita que representaremos 10% na matriz elétrica. Em 20 anos, em 2040, a Bloomberg já destaca 32%. Esse será o momento em que a energia solar fotovoltaica ultrapassará a hídrica, que estará com 29%. Em 30 anos, em 2050, ampliaremos essa vantagem, a energia solar representará 39% da matriz. É um setor em exponencial e que vai acelerar o crescimento.

Canal: As empresas apresentam tecnologias diferentes de produzir energia solar distribuída?

Ronaldo: Hoje existem diferentes tipos de tecnologias para a geração de energia solar distribuída. Temos o filme fino, que é aplicado em janelas e fachada. Mas 99% da energia produzida na geração distribuída são geradas pelas famosas placas solares, que é a fonte mais difundida e que mais barateou nos últimos anos.

Canal: Os preços da tecnologia reduziram consideravelmente para o consumidor nos últimos anos. Ainda há previsão de mais queda para um futuro próximo?

Ronaldo: A energia solar fotovoltaica é a tecnologia que mais caiu de preço nos últimos dez anos. Para se ter uma ideia, a segunda é a das baterias, como o carro elétrico. Em 1977, um conjunto de um watt pico – uma placa solar tem em média 300 a 400 watt pico – custava 76 dólares. Era uma fortuna ter apenas uma placa.

Hoje é menos de 30 centavos de dólar. O preço caiu muito, evidentemente com a massificação dessa tecnologia a tendência é reduzir ainda mais. Talvez não de forma tão agressiva, mas ainda há uma predisposição de redução para os próximos anos.

Canal: Quantas unidades (casas, empresas, etc) contam hoje com a geração distribuída? O que representa isso para a produção de energia e para a matriz energética do Brasil?

Ronaldo: Hoje já se tem cerca de 120 mil unidades consumidoras para 84 milhões de unidades consumidoras totais no Brasil, ou seja, a energia solar fotovoltaica representa apenas 0,1% das possibilidades. É muito pouco. Isso é uma fração irrisória. O Brasil está muito atrasado. A energia fotovoltaica no mundo é uma realidade. No Brasil é uma situação que se inicia. Entre as outras fontes de energia renováveis – hidrelétrica, biomassa, eólica- , o Brasil está entre as dez maiores do mundo. Só que na energia solar fotovoltaica somos o 21º no ranking mundial. É uma vergonha para o povo brasileiro, por que somos atrasados. Mas ainda é uma grande oportunidade para quem quer investir no negócio.

Canal: As residências lideram o topo da lista da geração distribuída? Tem algum motivo?

Ronaldo: As residências lideram em número de unidades consumidoras, porém quando se fala em potência o comércio e o serviço estão à frente. Isso significa que, de forma pulverizada, se tem mais unidades consumidoras, mas com projetos menores. Quando se fala em potência, o comércio e serviços estão à frente, pois são projetos maiores. Você pode ter um galpão de um supermercado, por exemplo, que equivale a dezenas de casas em apenas uma unidade consumidora.
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