11/09/2020

Alta do cobre e alumínio impacta projetos fotovoltaicos

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Canal Solar 

Alta do cobre e alumínio impacta projetos fotovoltaicos

Os preços de insumos utilizados na fabricação de componentes que integram um sistema fotovoltaico tem aumentado nos últimos meses. Esta alta se deve a dois fatores principais: a elevação de preços na base das cadeias produtivas e o desabastecimento que o mercado está enfrentando.

Isso porque a falta de previsibilidade durante a pandemia fez com que as indústrias, em geral, tivessem dificuldade de planejar adequadamente os seus estoques de matéria-prima. Com isso, a retomada gradual da economia faz com que a demanda por produtos comece a pressionar os preços dos insumos em todos os setores, inclusive o mercado solar fotovoltaico.

Entre estes insumos estão o cobre e o alumínio, utilizados na fabricação de componentes que integram um sistema fotovoltaico, como por exemplo, estruturas de fixação e cabos.

Segundo a LME (London Metal Exchange) , centro mundial para o comércio de metais industriais, só nos últimos 30 dias, o cobre teve elevação de 3,53%, subindo de U$/t 6.496,70 para U$/t 6.726,08 de agosto para setembro. Enquanto o alumínio elevou 1,54%, indo de U$/t 1.733,90 para U$/t 1.760,58, no mesmo período.

Além da alta no preço por tonelada dos materiais, como cobre e alumínio, o mercado fotovoltaico brasileiro foi impactado pela subida do dólar, que apresentou forte alta entre março, quando começou a pandemia da Covid-19, até começo de setembro.

O aumento foi de 10,51%, indo de R$/US$ 4,85 para R$/US$ 5,36. Com isso, o alumínio, por exemplo, saltou de R$/t 7.814,02, em março, para R$/t 9.436,70, em agosto. Uma alta de 20,76%.

A alta do dólar foi motivada por diversos fatores, entre eles, instabilidade política, fragilidade fiscal e queda da Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia). Em um cenário onde há queda na produção de insumos, o resultado é um mercado desabastecido, ou seja, preços nas alturas combinados com escassez de materiais.

Com isso, os metais como alumínio e cobre, mesmo sendo produzidos no Brasil e vendidos em reais, têm suas formações de preços considerando as cotações do dólar e da LME.

Alta nos preços impacta projetos fotovoltaicos

Integradores apontam que os preços de alguns componentes tem aumentado. Os preços dos cabos, por exemplo, teve alta de até 80%.

"Teve um aumento, de março até agosto, de 60% do cobre devido à paralisação de fábrica por conta da pandemia. Houve parada na produção e agora que voltou a produzir tem uma demanda alta. Além disso, o Chile, um dos maiores produtores de matéria prima para a fabricação do cobre, parou a produção devido à pandemia e questões políticas. Isso afetou o preço do transformador que, por exemplo, tem em sua composição cobre e alumínio, assim como o disjuntor", conta Leandro Moreira, proprietário da LM Projetos e Assessoria Elétrica.

Danilo Perdigão, gerente de qualidade da Bono Fotovoltaico, afirma que o preço crescente dos insumos já está afetando financeiramente os projetos. "Estamos com quatro usinas acima de 700 kWp, somando 4 MWp, em execução. Estamos com dificuldade principalmente para encontrar cabos isolados de média tensão, 20/35kV. Além da falta do cabo no mercado, os preços aumentaram cerca de 80%. Outro problema é na confecção do quadro geral de baixa tensão, além disso, os barramentos tiveram alta de quase 80%", conta Perdigão.

Com o aumento nos preços, integradores apontam queda na lucratividade. "Os principais impactos desta alta são a diminuição dos percentuais de fechamentos de contratos em relação aos orçamentos e, consequentemente, a redução nas margens de lucro", diz Jaime Alfredo Lima Silva, sócio diretor da Engisol.

"O principal desafio é uma redução da margem de lucro porque quando mandamos uma proposta preliminar, colocamos os valores, só que eles estão mudando rapidamente. Não tem como repassar para o cliente, ele não entende. Com isso, acabamos assumindo os prejuízos", afirma Marcus Hagge, proprietário da Engenharia de Projetos .

Aldo Pereira Teixeira, presidente da Aldo Solar , também está acompanhando o movimento do mercado. "Estamos assustados com os aumentos de preços de cobre alumínio e vidro. Mas, ainda não podemos afirmar quanto teremos de aumento. As nossas programações de terceiro trimestre estão na normalidade. Tudo isso é muito negociado", conta o executivo.

Edson Marasco, fundador da MCM Solar Energy, comenta como a elevação tem afetado o segmento de estruturas fotovoltaicas. "Devido à pandemia, muitas empresas diminuíram suas compras e a baixa demanda obrigou as usinas a diminuir a quantidade de metal produzido, incluindo a indústria do alumínio, que impacta diretamente no preço das estruturas fotovoltaicas. Além disso, a retomada foi muito mais rápida do que esperado e não há material para todos neste momento, eis a razão do aumento dos preços".

"Este preço tende a se estabilizar com os meses, provavelmente no primeiro trimestre de 2021 estaremos com os preços normalizados", acrescenta Marasco.
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