06/07/2017

Bancos comerciais preparam modelo de financiamento para GD solar

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Canal Energia 

Em caso de sucesso, linhas de crédito poderão estar disponíveis ainda no final deste ano

Os bancos comerciais estão próximos de encontrar uma solução de financiamento economicamente viável que dê segurança às instituições financeiras para apoiar o mercado de geração solar distribuída no Brasil. Os estudos foram iniciados em junho de 2017, liderados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Concluiu-se que o melhor caminho era um modelo de análise de crédito que considerasse tanto o risco do projeto (payback e garantias técnicas e financeiras) quanto o perfil de quem solicita o crédito (usuário do sistema de geração).

O modelo de análise de crédito integrado foi concluído neste mês e será testado por oito bancos. Esse piloto deverá ser finalizado em setembro. Caso se comprovem os resultados positivos, o modelo será oferecido para uso em todo o mercado. “A ideia é encerrar esse ano com um modelo testado, divulgado e pronto para operar em qualquer instituição bancária”, afirmou Mario Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da Febraban, em entrevista à Agência CanalEnergia.

De acordo com Vasconcelos, os estudos demostraram que o principal gargalo para a concessão de financiamento de projetos desta natureza era a falta de um modelo de análise brasileiro que também levasse em consideração o risco técnico e de performance das usinas de energia solar a serem construídas e postas em funcionamento. A metodologia utilizada atualmente usa como base para avaliação apenas o risco de crédito de desenvolvedores e instaladores, o que dificultava o financiamento de projetos com grande viabilidade sobre os quais ainda não havia informação suficiente.

Além da Febraban, estão envolvidos nesse projeto o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A iniciativa prevê a participação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que deverá certificar os fornecedores e implementadores que podem ser contratados, a partir de uma lista de requerimentos elaborada pela Febraban e a própria ABNT.

O novo modelo deve facilitar a análise e aprovação do financiamento para projetos de energia solar fotovoltaica, ao estabelecer novos padrões consistentes de avaliação, não só dos projetos, mas também de toda a metodologia de acompanhamento.

Segundo Vasconcelos, não há dúvidas quanto ao potencial do mercado solar brasileiro de geração distribuída, nem sobre a contribuição que a tecnologia pode dar para redução de gases de efeito estufa e para o atingimento das metas do Acordo do Clima. “Na nossa visão, sustentabilidade vai se tornar uma coisa relevante quando ela se traduzir em novas atividades econômicas, gerando emprego, renda e benefícios para a comunidade onde ela está implementada”, declarou o executivo.

GARANTIAS

O modelo de financiamento pensado pelos bancos comerciais considerará tanto o risco do projeto quanto o risco do tomador do crédito. Quando ao risco de técnico, a ABNT criou uma lista de requerimento que cada projeto precisará atender. A performance do projeto e o payback serão importantes na definição do risco técnico, pois quanto maior o prazo de retorno, maior o risco.

Para os critérios técnicos, serão atribuídas pontuações que serão somadas as garantias oferecidas pelo tomador do crédito. O tomador poderá oferecer garantias de performance, seguro de implementação engenharia, recebíveis e até o próprio imóvel, por exemplo.

As pontuações desses dois conjuntos de informações serão somadas a análise de crédito tradicional já feita pelos bancos para calcular o risco de crédito do cliente. “Esse conjunto de informações vai mostrar o risco total da operação. Com isso esperamos que os bancos passem a ter mais interesse em participar desses projetos”, disse Vasconcelos.

Os públicos alvos do modelo de financiamento são pessoas físicas (projetos faixa de até R$ 50 mil) e pessoas jurídicas (projetos com custos entre R$ 500 mil até R$ 25 milhões).
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