27/11/2014

Empresas sacrificam retorno para entrar no mercado

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Brasil Energia

O valor médio dos contratos de solar no leilão de reserva, R$ 215/MWh, ficou muito aquém do esperado pelo mercado, que estimava preços superiores a R$ 250/MWh. Para a empresa de pesquisas Bloomberg New Energy Finance (BNEF), o custo nivelado da energia solar no Brasil é de R$ 235,4/MW. Esse seria o valor mínimo para se obter retorno “respeitável” e amortizar os custos ao longo de 20 anos de contrato.

Antes do leilão, a BNEF considerava que a maior parte dos empreendedores buscaria taxas de retorno de 13% (após impostos), o que exigiria um preço de R$ 260/MWh, quase o teto de R$ 262/MWh. “Normalmente, os investidores tenderiam a manter suas taxas de retorno altas ao entrar em um novo mercado, com uma tecnologia relativamente nova. Mas a tentação de ser um dos primeiros, mesmo que isso significasse retornos menores, se provou irresistível”, avalia o analista chefe das Américas, Michel Di Capua.

O preço mais baixo certamente afetou as taxas de retorno. O destaque foi a FRV, com R$ 200,84/MWh. Para Marcos Meireles, CEO da companhia, a agressividade da oferta foi possível porque a FRV “possui um espectro global que permite mais possibilidades de estratégia em termos de financiamento e de suprimento dos painéis fotovoltaicos”. Para o projeto da FRV, a analista de renováveis da BNEF para a América Latina, Helena Chung, projeta uma taxa de retorno de 8%. A empresa preferiu não comentar a questão com a Brasil Energia.

Os empreendedores concordam que os valores caíram além do esperado. Segundo Marcelo Nesi, responsável pelo projeto da FCR, o preço ideal seria R$ 240/MWh. “Pode ser até que nos primeiros anos alguns projetos fechem negativos”, projeta.

A Solatio, maior vendedora do leilão, admite que a competição afetou os preços. “Estivemos muito tempo esperando por quando o mercado solar aconteceria no Brasil e toda essa espera fez crescer um apetite muito grande. Esse (R$ 215/MWh) não é o preço”, avalia o sócio da companhia, Pedro Vaquer.

A margem para baixar os custos dos projetos está nas estruturas além dos módulos: conexões, subestações, inversores, mão de obra, fios, cabos, etc. “O módulo solar representa cerca de 40% do custo dos projetos, então existem mais variáveis para baixar o custo”, explica Helena. Entretanto, o presidente da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, observa que é cedo para saber o peso de cada componente. “Ainda não há um mapeamento, não necessariamente os custos no Brasil serão iguais aos custos globais”, pondera.


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