30/09/2017

Energia fotovoltaica impulsiona cadeia produtiva

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Folha de Londrina


A produção de energia solar fotovoltaica centralizada (grandes usinas) deu um salto de mais de 10 vezes nos últimos três anos no Brasil e alavancou a indústria de matéria-prima. Os projetos contratados nos três leilões promovidos pelo MME (Ministério de Minas e Energia) injetaram na cadeia produtiva do setor em torno de R$ 13 bilhões.
Indústrias de insumos como aço e alumínio encontraram um novo nicho de mercado. De acordo com a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), hoje, no Brasil, há oito fabricantes de módulos fotovoltaicos instalados em São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. A exigência do BNDES de nacionalização de componentes dos módulos fotovoltaicos também está fomentando a instalação de empresas estrangeiras no País.
Um exemplo é a chinesa Canadian Solar, instalada em Sorocaba (SP), que inaugurou uma linha de operação no Brasil. A estrutura metálica (moldura) dos painéis e a embalagem são nacionais. Os demais materiais continuam sendo importados da China. A empresa fornece módulos fotovoltaicos para as Usinas Pirapora 1 e 2, em Minas Gerais.
A produção da Canadian é de 4.100 painéis solares/dia com capacidade de geração de 400 megawatts. A empresa contratou 500 funcionários e trabalha em três turnos. "Elaboramos a nossa estratégia dentro das regras do financiamento, que preveem a aplicação completa de mão de obra local e o uso de moldura com matéria-prima nacional. Com a planta local, também conseguimos fugir da variação cambial", explica Wladimir Janousek, diretor da Canadian Solar.

Mercado promissor
Para atender a demanda da Canadian, a CBA (Companhia Brasileira do Alumínio) adequou a sua planta em Alumínio (SP). A empresa não fala sobre o valor de investimento, mas montou uma linha de corte e estamparia. Segundo a CBA, é a única indústria que entrega as molduras de painéis solares fotovoltaicos com as perfurações de acordo com a necessidade do cliente.

A CBA considera o mercado de energia fotovoltaica promissor. "Começamos a fornecer no ano passado. É algo novo ainda e que tem uma participação nos transformados consideravelmente baixa, atendemos o mercado de embalagens, transportes, construção civil. Se olhar em tonelagens, ainda que seja um mercado pequeno, é o nosso diferencial. É um mercado promissor e que está dentro da estratégia de negócios da CBA", pontua o diretor do Negócio Transformados, Fernando Varella. A linha de molduras tem uma capacidade ociosa de 55%.

A Abal (Associação Brasileira do Alumínio) acredita que o fornecimento local dos componentes traz vantagens tanto para a indústria fornecedora como para as fábricas produtoras e que à medida que é agregado valor ao produto cresce a competitividade brasileira.

A industria do alumínio brasileira está presente no mercado de eletricidade, no fornecimento de fios e cabos, e na energia eólica. Em 2016, o total da demanda de fios e cabos teve um incremento de 10,4% ou 132,8 mil toneladas. Do total consumido de alumínio em 2016 no Brasil – 1,2 milhão de toneladas –, o setor de eletricidade representou 12,1%, bem próximo de construção civil.

Estratégia
O alumínio tem aplicações estratégicas dentro da estrutura da turbina das torres eólicas. O volume de alumínio em uma turbina pode chegar a cerca de 1,5 tonelada a duas toneladas – sendo usado principalmente para reduzir o custo total da obra, substituindo outros materiais, devido à excelente condutividade térmica, resistência à corrosão, enfim, funcionalidades integradas de menor manutenção e custo, devido à maleabilidade do material, já que aceita formas complexas.

À medida que novos projetos e leilões forem aprovados, bem como consumidores residenciais optem pela auto-geração, a tendência é que o alumínio ganhe cada vez mais espaço neste setor.

No caso da energia solar, a associação considera o alumínio brasileiro competitivo e em igualdade de condições com os produtos importados. "O que temos visto é, muitas vezes, importações em situações fora dos padrões dos mercados internacionais, indicando forte presença de subsídios (que não são aceitáveis pela Organização Mundial do Comércio) ou até mesmo fraudes. O que precisamos procurar é um mercado regulado em que todos paguem (impostos) igualmente. Isso já é suficiente para o alumínio brasileiro", afirma Milton Rego, presidente-executivo da Abal.

(*) Repórter viajou a convite da Associação Brasileira do Alumínio (Abal)

Salto significativo na produção
O primeiro leilão de energia solar fotovoltaica centralizada foi realizado em 2013, em Pernambuco. Na época foram contratados 92 MW (megawatts) para atender o sistema interligado nacional. No ano seguinte, o governo federal passou a olhar esse tipo de energia renovável como uma promessa para o desenvolvimento sustentável.

Hoje, a capacidade instalada é de 1.048 MW. "Foi um salto grande frente à primeira experiência de Pernambuco. A matriz elétrica nacional possuiu 153 mil MW. A energia solar fotovoltaica é uma fração pequena dessa matriz, mas não é irrisório. É um passo importante e significativo para o desenvolvimento do setor", afirma Rodrigo Lopes Sauaia, presidente executivo da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

Atualmente, estão contratados, por meio de leilões de energia, em torno de 3.300 MW, que serão entregues até 2018. Há usinas na Bahia, Piauí, Minas Gerais e São Paulo. "No final de 2016, tínhamos em torno de 90 megawatts operando no Brasil entre projetos de pequeno, médio e grande porte (sistema em telhados e usinas). A nossa projeção é fechar 2017 com mais de 1.000 megawatts, dos quais 850 MW serão de usinas de grande porte", explica Sauaia.

Segundo ele, esse salto mostra a relevância do mercado de geração centralizada para o desenvolvimento tanto do setor elétrico como dos fabricantes de produtos. "O que fez o Brasil atrair fabricantes para se estabelecer e produzir equipamentos de alta tecnologia e valor agregado em território nacional foi o volume significativo contratado em leilão", comenta.

Equívoco
O MME (Ministério de Minas e Energia) deve promover em dezembro dois leilões de energia renovável (A-4 e A-6). Mas apenas um contempla a energia solar fotovoltaica, o que desagradou ao setor. "É uma oportunidade perdida que precisa ser corrigida em leilões futuros. Nos sentimos discriminados. Acreditamos que foi um equívoco do governo tirar a energia fotovoltaica do leilão A-6", reclama o presidente da ABSOLAR .

A entidade também batalha para que haja uma continuidade nas contratações. Os projetos contratados nos leilões de 2015 irão entregar a energia em 2017 e 2018, e os dois leilões deste ano são para 2021. "Vai ter uma janela de 2019 e 2020. Isso é um problema de planejamento que precisa ser resolvido pelo MME. A nossa recomendação é para fazer um leilão este ano ou no máximo no primeiro trimestre do ano que vem para suprir essa lacuna", diz Sauaia. (A.M.P)

Fontes renováveis são o futuro da geração elétrica
O Brasil deve expandir a sua capacidade de instalação de geração elétrica do SIN (Sistema Interligado Nacional) em 64,1 gigawatts, de acordo com o PDE 2026 (Plano Decenal de Expansão de Energia). As fontes renováveis serão responsáveis por 75% dessa expansão e, delas, 50% deverão ser provenientes de fontes não hídricas.

Para a energia solar, o PDE 2026 prevê a contratação anual de 1.000 MW a partir de 2020, que somada aos 2,6 terawatts já contratados, resulta no montante de 9,6 TW ao final do horizonte de estudo. Há a previsão de que a geração distribuída por instalações fotovoltaicas (micro e mini) possa chegar a 3,3 MW (perto de 800 mil instalações), o que eleva para 12,9 MW a potência instalada solar ao final de 2026 - quase 6% da capacidade instalada total do Brasil. No mundo, o indicador atual é de 4,4%.

Para a energia eólica, a previsão é que a expansão chegue a 18,5 MW de 2017 a 2026, o que resulta em 28,6 MW instalados até o final de 2026, sendo mais de 80% na região nordeste. Este montante deverá representar mais de 12% da capacidade instalada total do Brasil ao final do período de estudo (no mundo, o indicador atual é de 7,6%).
De acordo com Ministério de Minas e Energia, o leilão de energia nova A-4, que deve ocorrer em dezembro, será uma oportunidade para a contratação de energia solar na região Nordeste. Mas, segundo o ministério, a realização do leilão depende da sinalização da necessidade de compra de energia por parte das distribuidoras de energia elétrica. O ministério também informou que deve publicar um cronograma estimado de promoção dos leilões regulados para o ano que vem até 30 de março de 2018. (A.M.P)
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