16/07/2017

Energia solar ainda engatinha no Brasil

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Estadão

Apesar de apresentar grande potencial de uso no Brasil, com sol abundante o ano todo, a energia solar fotovoltaica ainda engatinha no País, que só após 2010 começou a desenvolver políticas públicas. Essa foi a principal conclusão da audiência pública que a Comissão de Minas e Energia realizou na última segunda-feira (10), no plenário da Assembleia Legislativa (ALMG).

Solicitada pelo presidente da comissão, deputado Gil Pereira (PP), a reunião também buscou discutir a implantação de uma agência estadual de energia elétrica e o aumento da conta de energia dos irrigantes do Estado. Participaram do evento representantes do Governo federal, da Cemig, além de entidades representativas das empresas do setor fotovoltaico e das distribuidoras de energia, entre outros.

José da Costa Carvalho Neto, presidente da Eletrobras, destacou as projeções de consumo de eletricidade no mundo. Segundo ele, o planeta consumia, em 2013, 20.915 terawatts/hora (tw/h), e a projeção para 2035 é de 28.256 tw/h. Apesar do aumento relativamente pequeno, o crescimento do consumo vai se concentrar mais nos países em desenvolvimento. Tanto que a perspectiva é de aumento de 10 mil tw/h em 2013 para 17 mil tw/h em 2035 somente nesses mercados.

Para fazer frente a esse acréscimo, de acordo com José Carvalho, o mundo, e principalmente os países emergentes, terão que investir pesadamente em eficiência energética, integração dos sistemas e geração renovável, principalmente nas energias eólica e solar. Nesse aspecto, o dirigente enfatiza que o percentual de participação de energia renovável na matriz energética do Brasil já evidencia uma situação favorável. Se no mundo esse percentual é de apenas 18,7%, no Brasil atinge 87,1%.

Quanto ao potencial da energia solar, ele afirmou que a irradiação média no Brasil fica entre 4 e 6 kilowatts/hora por metro quadrado ao dia (kwh/m²/dia), o que é o dobro da Alemanha, país com grande uso de energia fotovoltaica, com 2 a 3 kwh/m²/dia.

FUTURO - Embora apresente grande potencial de crescimento, o Brasil ainda utiliza pouco a energia fotovoltaica, como constatou Rodrigos Lopes Sauaia, diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Contudo, a associação, que já congrega quase 100 integrantes, está otimista.

Rodrigo Sauaia destacou os benefícios da energia fotovoltaica. No âmbito socioeconômico, ela promove a geração de empregos de qualidade, a criação de uma nova cadeia produtiva e o aquecimento da economia. No aspecto ambiental, gera-se energia limpa. Quanto às vantagens estratégicas, Sauaia ressaltou que o País, ao optar pela energia solar, promove a diversificação de sua matriz energética e contribui para a redução de perdas por transmissão e distribuição, já que a maior parte é produzida e consumida no mesmo local.

A ABSOLAR apresentou várias reivindicações à comissão, como a isenção de impostos federais e estaduais sobre a cadeia produtiva; programas de incentivo às chamadas micro e minigeração (com a adoção de uma meta estadual de telhados fotovoltaicos até 2020); realização de um leilão estadual de energia solar (nos moldes dos federais); criação de linhas de financiamento para pessoa física e jurídica; e instalação de sistemas fotovoltaicos em prédios públicos.
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