11/05/2017

Energia solar, limpa e renovável, pode gerar grande economia para empresas

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Canal: Jornal da Bioenergia

No Brasil, a energia solar fotovoltaica corresponde a aproximadamente 80 megawatts (MW) operacionais na matriz energética. No ano de 2016, houve crescimento de 320% da geração distribuída desta fonte – um salto de 1.827 sistemas para mais de 7.600 sistemas de micro e minigerações distribuída solar fotovoltaica. Em outubro de 2016, as energias renováveis tiveram participação de 43,2% na matriz energética brasileira, dois pontos percentuais a mais que no ano anterior, segundo dados do Boletim Mensal de Energia elaborado pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME).

De acordo com dados da Cushman & Wakefield, o mercado de galpões e armazéns industriais em uso no Brasil possui uma área total estimada em 12 milhões de metros quadrados. Isso representa um potencial de investimentos de R$ 6,8 bilhões para a geração solar fotovoltaica no Brasil, segundo estimativa conservadora da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

Ainda de acordo a entidade, se a metade da área dos telhados de todos os galpões e armazéns ocupados no Brasil fosse aproveitada para gerar energia fotovoltaica, a potência instalada seria de cerca de mil MW, o suficiente para suprir as necessidades energéticas de aproximadamente dois milhões de brasileiros. Os empregos diretos gerados com o investimento seriam da ordem de 30 mil postos de trabalho. Considerado a estimativa, o potencial de geração de eletricidade seria de 1,7 mil megawatts/hora ao ano, correspondente a uma economia de aproximadamente R$ 900 milhões na conta de luz e uma redução de emissões de CO2 de aproximadamente 132,7 mil toneladas por ano. O payback para esses investimentos é estimado em 7,5 anos.

Incentivos

Vários estados e municípios lançaram iniciativas para incentivar a instalação de sistemas fotovoltaicos. Entretanto, há características especificas que variam de acordo com as potencialidades de cada região. Recentemente, Goiás apresentou o Goiás Solar, que atua nos eixos de tributação, financiamento, desburocratização e infraestrutura, fortalecimento da cadeia produtiva e educação e comunicação.

No Nordeste, outra ação importante é a de financiamento, a FNE Sol, por meio do Banco do Nordeste. O presidente executivo da Absolar, Rodrigo Lopes Sauaia, antecipa que a entidade tem recomendado aos governantes do Centro-Oeste que desenvolvam uma linha similar. “Alguns governos estaduais já abraçaram e estão discutindo o tema. No evento de lançamento do Goiás Solar foi falado que essa ação deve ser lançada ainda no primeiro semestre”, diz, em referência ao FCO Sol.

Rodrigo destaca também as ações em todo o país voltadas a redução de carga tributária, o que leva ao que ele chama de isonomia tributaria. “O que acontecia em muitas regiões é que a carga tributaria sobre os equipamentos era muito elevada, o que prejudicava a competitividade das fontes.”

Para incentivar o interesse e apresentar a tecnologia de forma mais ampla, a Absolar implantou, em acordo de cooperação técnica com o MME, uma miniusina no telhado do Ministério. “A avaliação que temos é positiva e o sistema está operando a todo vapor. Diariamente tem gerado energia elétrica e ajudado a atender de 5 a 7% da demanda do edifício. Assim, há diminuição de gastos para que o MME aloque recursos para seu objetivo fim”, avalia Rodrigo. O investimento foi de cerca de R$ 400 mil, com retorno esperado para nove anos.

Atualmente a potência de geração da miniusina é de 50 kWp (quilowatts pico), o que evitará a emissão de 6,4 toneladas de CO2 por ano na atmosfera. A ideia é que o projeto sirva de referência para os demais ministérios, além de outros prédios federais, servindo de estímulo também para que estados e municípios adotem a tecnologia. Como o edifício é tombado, havia uma limitação de espaço, já que não poderiam ser utilizadas áreas do estacionamento ou que deixassem o sistema à mostra na fachada, por isso não foi possível desenvolver um projeto com maior geração de energia.

Viabilidade

O engenheiro eletricista,  civil e de segurança do trabalho, diretor da Stonos Desenvolvimento Criativo, Pedro Provázio, considera que a implantação dos sistemas fotovoltaicos se destaca como uma ferramenta poderosa para gerar economia em uma das áreas que tem assumido um peso mais ponderável no orçamento do brasileiro, a energia elétrica, que vem sofrendo aumentos tarifários acompanhados da crise hídrica nos últimos anos. Além desse fator, outras são as vantagens apontadas pelo engenheiro para que se invista em energia solar. “Esses sistemas, que geram energia a partir do recurso renovável com potencial energético maior do que todas as outras fontes disponíveis reunidas, são silenciosos durante todo o processo de geração de energia e requerem poucos gastos com manutenção.”

Foi pensando nessa economia, além de considerar que se trata de uma fonte renovável, que o policial militar ambiental Luiz Alberto Vilalva decidiu instalar placas fotovoltaicas em sua residência de 220 m² em Campo Grande (MS). Cinco meses após o investimento, os resultados na conta de energia já são notórios. A fatura que vinha entre R$500 e R$600 mensais agora é de menos de R$150. “Moram sete pessoas em minha casa. A instalação foi realizada para suprir de 85 a 90% da demanda. De toda forma, eu teria que pagar um consumo mínimo à concessionária, que aqui seria cerca de R$60”, explica.

Para garantir a economia em longo prazo, foi preciso realizar um investimento de aproximadamente R$30 mil. Foram instaladas 15 placas, capazes de gerar entre 480 e 570 KW por mês. Nos próximos seis anos, esse valor deve se pagar, levando em conta a economia na fatura da concessionária de energia. Esse montante, relativamente alto, é o que faz com que muitos não tenham acesso à energia solar. “Tenho muitos amigos que têm interesse, mas o custo é muito alto, apesar da durabilidade de 30 a 40 anos”, comenta Luiz. Para o futuro, a ideia do militar é ampliar a quantidade de placas em seu telhado. Com mais três delas, previstas no projeto inicial, a economia no final do mês será ainda maior.

O investimento pode ser diferente em cada estado. “Os custos de implantação variam de acordo com a localidade e a complexidade do sistema dimensionado para cada consumidor de energia elétrica. A própria composição modular destes sistemas, ou seja, a capacidade de expandi-lo, aumentando a quantidade de energia produzida, possibilita o acesso à energia fotovoltaica de forma dimensionada com exclusividade para caber no bolso e à realidade de cada interessado”, comenta Pedro Provázio.

Provázio esclarece que a energia fotovoltaica é mais barata do a disponibilizada pelas concessionárias em 23 Estados brasileiros e no Distrito Federal, segundo cálculos da consultoria em energia PSR (o investimento não é interessante financeiramente apenas no Amazonas, Roraima e Amapá). De forma geral, o tempo de retorno do investimento, considerando a economia no pagamento às concessionárias, varia entre cinco e sete anos.

Nesse sentido, Rodrigo Sauaia considera que a realidade dos preços aplicados no setor tem se modificado, principalmente pela produção de insumos nacionais. Hoje, o Brasil detém a maior fábrica de módulos fotovoltaicos da América do Sul. Atualmente há aqui seis fábricas de módulos fotovoltaicos, oito fábricas de inversores, seis fábricas de rastreadores solares, além de fabricantes de materiais elétricos e sistemas fotovoltaicos (conjuntos ou kits completos). Isso significa dizer que não há mais total dependência de produtos importados, o que encarecia bastante a tecnologia. “O custo da energia solar fotovoltaica tem caído ao longo dos anos. Há aumento de eficiência e redução do custo advinda do ganho em escala”, diz Sauaia, destacando que em 2016 a redução do preço da energia solar fotovoltaica no mundo foi entre 15 e 20 % e nos últimos 10 anos mais de 80%. “A tendência ao longo dos próximos 10 ou 20 anos é que essa seja uma das formas mais baratas de se gerar energia elétrica no mundo.”

Cadeia produtiva

Antes de instalar o sistema fotovoltaico, é preciso que o usuário entenda as questões que irão garantir uma geração adequada de energia. É fundamental verificar a qualidade dos equipamentos e sua procedência, além da garantia e certificação para que possam trazer o beneficio esperado pelos consumidores.

Outro ponto importante é estar atento ao desenvolvimento dos projetos elétricos do sistema, elaborados por engenheiros eletricistas aptos a realizar os cálculos e que serão responsáveis por eles.

Por fim, a instalação do projeto deve ser bem executada e realizada por instaladores devidamente capacitados para garantir que siga requisitos mínimos de qualidade e apresentem boa performance do sistema, previsto para cerca de 25 anos. Para contribuir com que haja mão de obra adequada, a Absolar, em parceria com outras instituições, fomenta programas de capacitação de nível técnico para instalação.

Durabilidade

A vida útil dos equipamentos instalados é de aproximadamente 25 anos. Sendo assim, é possível fazer uma previsão orçamentária a longo prazo. Pedro Provázio comenta que, “considerando o tempo de retorno do investimento realizado para a instalação do sistema fotovoltaico, é possível usufruir do benefício de gerar a própria energia, economizando dinheiro e ficando imune à inflação da tarifa de energia, por cerca de 80% do tempo da vida útil do sistema. Após o vencimento desse prazo, o passivo gerado ainda é fruto de dinheiro a partir da venda e reciclagem dos componentes do sistema, concentradores de matérias-primas valiosas como silício e alumínio”.

Ao longo desses quase 30 anos, há garantia oferecida aos componentes do sistema fotovoltaico, que são maiores do que o tempo de retorno do investimento realizado. Além disso, a manutenção deve ser feita e consiste basicamente na limpeza dos painéis fotovoltaicos. “Essa limpeza pode se dar anualmente, dependendo das condições do ambiente onde os painéis se encontram instalados. Como a geração de energia elétrica pode ser acompanhada pela internet, é facilmente detectável algum distúrbio no correto funcionamento do sistema e, nesses casos eventuais, a necessidade de reposição ou substituição de algum componente pode ser orientada mediante uma visita técnica com equipamentos especializados para detecção dos possíveis erros”, orienta Pedro Provázio.

Além dos cuidados após a instalação, a escolha da empresa que irá realiza-la é importante para garantir um bom serviço. O dimensionamento de um sistema requer profissionais com conhecimento técnico específico, aptos a manusear softwares para o dimensionamento com a máxima eficiência em cada caso. A implantação do sistema exige ferramentas e equipamentos apropriados, além de instaladores treinados para trabalhar com esse tipo de energia. Provázio destaca que “tão importante quanto a definição da empresa, é o cuidado a ser tomado no momento da aquisição dos equipamentos do sistema, de modo a garantir os melhores desempenhos e serviços de assistência técnica.

     
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