03/06/2016

EnerSolar + Brasil e Ecoenergy se destacam no mercado de energia renovável

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Revista Meio Filtrante

Até 2040, o Brasil deverá atrair cerca de US$ 300 bilhões em investimentos para a geração de energia, segundo dados Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Estima-se que 70% serão destinados a projetos solares e eólicos. Com este mercado promissor aconteceu, de 10 a 12 de maio de 2016, no São Paulo Expo, em São Paulo, a 5ª edição da EnerSolar + Brasil | Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar, principal feira de energias renováveis do setor.

Reunindo toda a cadeia produtiva dos segmentos de energia solar, eólica e de biomassa, com soluções voltadas para indústria dos setores de GTDC (Geração, Transmissão, Distribuição e Comercialização), 80 expositores apresentaram as mais recentes tecnologias, produtos e serviços como: micro inversores de frequência, painéis solares, estruturas de fixação, conexões, aquecedores solares, placas termo solares, painéis fotovoltaicos, aerogeradores, inversores, máquinas para transporte e manuseio de biomassa, caldeiras e queimadores.

Como destaque a feira trouxe soluções “chaves na mão” de sistemas fotovoltaicos, ou seja, prontas para serem utilizadas, incluindo todos os equipamentos, mão-de-obra, documentação e o que mais for necessário para o sistema funcionar; os módulos poli-cristalinos, que apresentam maior eficiência na captação da luz solar; inversores inteligentes; e sistemas para atender o comércio e indústria de pequeno porte e de autoconsumo.

Segundo Thomas Steward, gerente da EnerSolar + Brasil, a feira mostrou ao mercado o que há de mais recente em soluções tecnológicas. “O Brasil possui grande potencial no setor de energias renováveis. Além da excelente incidência solar, temos ventos contínuos para a geração de energia eólica em diversos Estados como no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul e estas oportunidades devem ser aproveitadas. Neste sentido que atua a feira, trazendo inovação, conhecimento e o mais importante de tudo, soluções para que estas oportunidades possam se concretizar”, destacando ainda que o sucesso da EnerSolar + Brasil foi conquistado através de diversos fatores como qualificação do público presente, a realização simultânea do Ecoenergy | Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia e a presença das principais empresas e associações do setor. Realizados pela Cipa Fiera Milano, os eventos conjuntos receberam 12 mil profissionais do setor. 


6º Ecoenergy | Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia 

No momento em que o Brasil vive uma forte desaceleração econômica, a busca pela redução de custos através da geração de energia própria tem sido uma das alternativas das empresas, e até de consumidores, para enfrentar a crise. Talvez esse seja um dos motivos pelo qual o setor de energia solar fotovoltaica tenha apresentado crescimento de mais de 300% nos últimos dois anos, contrastando com o panorama atual do mercado brasileiro. Outro fator importante é que para cada megawatt instalado, gera-se entre 25 a 30 empregos diretos, seja de instaladores de painéis, projetistas, fabricantes e montadores de sistemas fotovoltaicos.

Mas para que o setor de energia solar se consolide no Brasil é preciso maior acesso das empresas a financiamentos, por meio de bancos federais ou regionais, que concedam prazo elástico de amortização e taxas de juros mais baixas; que se reduza a tributação proporcionalmente aos investimentos no setor e que se invista também na educação para formação de profissionais técnicos qualificados no País. Estas, entre outras, foram as sugestões debatidas e apresentadas durante a realização do 6º Ecoenergy | Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia, em São Paulo, entre os dias 10 e 12 de maio, em paralelo à EnerSolar + Brasil. O tema central foi “Ações e políticas públicas, soluções para o financiamento, inovação tecnológica, venda de excedentes e novos negócios em energia solar”. 

“A 6ª edição do Ecoenergy propôs a discussão dos temas mais atuais e relevantes para quem atua na área ou avalia a viabilidade de investir em energia solar. Foram abordadas e debatidas propostas, soluções e desafios nas áreas de políticas públicas de incentivo à geração solar fotovoltaica e fontes complementares, geração distribuída e financiamento de projetos e a capacitação profissional, regulamentação e gestão da comercialização de energia”, destacou a coordenadora do congresso, Tatiana Dalben. “A realização simultânea da feira também criou um ambiente de sinergia onde os profissionais puderam trocar experiências e ter acesso a informação, através do congresso, e conhecer as últimas tecnologias do setor, na EnerSolar + Brasil”. 


Desafios e oportunidades 

Nelson Colaferro Jr., presidente da ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica destacou que “o setor de energia solar pode dar ao consumidor a independência de escolher sua própria fonte de fornecimento”, bastando a instalação de um painel com células fotovoltaicas, que converte a luz do sol em energia elétrica, sobre seu telhado. “Hoje temos mais de 2.500 sistemas de energia fotovoltaica conectados à rede elétrica. Há centenas de investidores dispostos a atuar no Brasil, mas para isso é necessário segurança jurídica que garanta o cumprimento dos contratos”. Colaferro argumenta que planejamento, financiamentos de médio e longo prazo, redução tributária e maior incentivo à formação de mão de obra qualificada são gargalos que precisam ser superados para o crescimento. “A energia solar é uma ótima alternativa à matriz energética brasileira. Temos um sol fantástico que brilha, em todo o território nacional, na maior parte do ano e que pode gerar eletricidade, independente se o tempo está nublado ou não. Mas para isto, precisamos de um setor forte e unido”. 

Rodrigo Sauaia, diretor executivo da ABSOLAR, defendeu maior disseminação das energias limpas e renováveis na sociedade. “Ainda falta conhecimento das pessoas sobre os benefícios da energia fotovoltaica, sistema que pode ser implantado nas residências, condomínios e lojas, gerando economia significativa na conta de luz”. Sauaia destacou que mesmo com a atual conjuntura econômica, o setor de geração solar fotovoltaica para sistemas de micro e mini-geração distribuída vem apresentando crescimento considerável, chegando a cinco vezes o volume de cotações em 2016, comparado com 2015. “No ano passado o mercado já apresentou um crescimento relevante de 308% ante 2014, e em 2016 a tendência também é de expansão”. O engenheiro disse ainda que o Estado tem o papel de contribuir para que as fontes alternativas sejam cada vez mais difundidas no País. “É preciso envolvimento do governo federal no estímulo à implantação de sistemas de energia solar fotovoltaicos nos prédios públicos como sedes administrativas, escolas e hospitais. Isto, além de ser um bom exemplo, estimularia a produção nacional de equipamentos para o setor, gerando também emprego e renda”. 


Exemplos estaduais 

Atualmente, 16 Estados brasileiros aderiram ao convênio 16/2015 do Confaz que concede desconto do ICMS pela energia gerada na conta do consumidor. Minas Gerais, Pernambuco e mais recentemente, Roraima adotaram a redução de impostos na micro-geração de energia. De acordo com a ABSOLAR, já foram beneficiadas nesta modalidade cerca de 80 mil habitantes, que tiveram seus custos reduzidos com energia em até 15%.

Sobre os desafios do setor, o representante do Estado de Minas Gerais, Gil Pereira, que presidiu a comissão de minas e energia de Minas Gerais, apontou a isenção fiscal como uma das formas diretas de incentivar os investimentos que, num primeiro momento, envolve custos mais elevados, já que grande parte dos insumos para a produção dos sistemas é importada, mas depois, segundo ele, o retorno do investimento é obtido em menos de cinco anos. “As oscilações do dólar, que ocorrem em razão da instabilidade no País também contribuem para a cautela dos investidores, especialmente das empresas de médio porte que querem implantar sistemas independentes de geração de energia”, ponderou Pereira, acrescentando que Pirapora, uma importante cidade mineira se prepara para inaugurar a maior planta de energia solar da América do Sul, com geração de 240 megawatts, prevista para entrar em operação em 2017.


Debates em pauta 

Ponto alto do congresso os desafios e as oportunidades da geração distribuída foram discutidos por diversos especialistas do setor. Maura Galuppo Botelho Martins – Superintendente de Regulação Econômico Financeira da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) apresentou as oportunidades neste mercado destacando que as condições geográficas e climáticas do Brasil permitem inferir que o País tem um imenso potencial solar ainda não explorado. A executiva mostrou um comparativo entre a Alemanha, referência no setor, e o Brasil, enfatizando que o território alemão corresponde a 5% da área territorial do Brasil; que a irradiação solar média do Brasil equivale a quase o dobro da alemã; e que o País possui em atividade apenas 0,4% da capacidade solar já instalada na Alemanha. Reafirmando as grandes oportunidades e perspectivas na área, o Presidente da ABGD – Associação Brasileira de Geração Distribuída, Carlos Evangelista, chamou a atenção do público para um dado divulgado pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, de que haverá 1.200.000 consumidores em GD até 2024. Outro dado relevante apresentado pelo executivo e divulgado pela EPE – Empresa de Pesquisa Energética, é que 13% das residências no País terão energia proveniente de fonte FV até 2050.
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