22/11/2016

Financiamento desafia energia renovável - Valor Econômico

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Duke Energy
 
As empresas de energia renovável enfrentarão um obstáculo significativo ao desenvolvimento de seus projetos nos próximos anos a dificuldade de financiamento. 

Esse será um dos maiores desafios ao setor de renováveis, que já vem sendo pressionado pela falta de linhas de transmissão para escoamento da energia gerada.

Para o leilão de energia de reserva (LER) de dezembro, por exemplo, ficaram de fora projetos localizados no Rio Grande do Norte (RN), Bahia (BA) e Rio Grande do Sul (RS), uma vez que a capacidade instalada atual já atingiu os limites de escoamento dos Estados. 

A mudança do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ser combinada a um cenário de crédito restrito, colocando ainda mais obstáculos a serem superados no segmento. 

De acordo com a CELA Clean Energy Latin America, que presta assessoria financeira e estratégica a empresas e investidores do segmento na América Latina, os investimentos totais em geração de energia renovável devem somar cerca de R$ 200 bilhões até 2025.
 
A projeção leva em conta estimativas preliminares do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de 2025, que estimam a necessidade de entrada de 38,1 gigawatts (GW) de potência de fontes eólica, solar e biomassa até 2025.
 
Supondo a taxa média de 60% de alavancagem, eles precisariam de R$ 120 bilhões em financiamento. Isso representa cerca de R$ 22,2 bilhões em investimentos por ano até 2025, sendo que R$ 13,3 bilhões serão financiados.

Levando em conta a diretriz do governo de reduzir o papel do BNDES nesses investimentos, o desafio dos empreendedores é enorme. 

Para Eduardo Tobias, diretor da CELA, a visão apresentada no PCE preliminar da EPE era muito otimista e refletia números que ainda não incorporavam a queda na demanda por energia no país e nem que alguns projetos vencedores de energias renováveis poderão não ser construídos. 

“Este revés, tanto na demanda quanto na oferta, deve-se principalmente à recessão da economia brasileira, ao reajuste das tarifas elétricas a partir de 2015 e à volatilidade cambial”, disse Tobias. 

Mesmo considerando que a expansão da matriz de energia renovável seja de 75% da potência projetada pela EPE, os investimentos ainda seriam muito elevados, da ordem de R$ 150 bilhões. Supondo alavancagem de 60%, seriam R$ 90 bilhões em 9 anos, ainda um desafio muito grande. 

O problema fica maior quando se consideram as mudanças nos financiamentos “tradicionais” para o setor. Recentemente, o BNDES aumentou o limite de alavancagem da fonte solar de 70% para 80% dos itens financiáveis, mas manteve em 70% para outras fontes renováveis, como as eólicas. 

Segundo cálculos da Cela, porém, o limite real de alavancagem em solar é muito menor, devido a realidade do ritmo de desenvolvimento da cadeia de produção do setor. Como há a exigência de fabricação local de células, o limite chega a 57% no leilão de energia de reserva (LER) do início de dezembro.

Se a regra vigente for mantida, pode chegar a 0% para os vencedores dos leilões de 2017, em função da exigência de fabricação local das células. 

No caso das eólicas, os limites do BNDES foram mantidos em 70% dos itens financiáveis, mas o banco começou a sinalizar recentemente para o setor sua preferência por operações indiretas ou mistas, com a presença de agentes repassadores, segundo a Cela. 

Essa prática não altera diretamente o volume de capital alocado ao setor pelo BNDES, mas traz um aumento significativo no custo de financiamento para os empreendedores, diz a consultoria. 

As debêntures de infraestrutura poderíam ser uma alternativa para ajudar na expansão do setor, mas ainda estão muito longe disso.

Conforme a Anbima, desde a criação do instrumento, em 2011, até o início deste mês, tinham sido emitidos R$ 16,7 bilhões em debêntures de infraestrutura.

Desse montante, no entanto, apenas R$ 3,9 bilhões tiveram como destino o setor de energia, incluindo geração e transmissão. 

O montante alocado em geração de energia renovável, excluindo grandes hidrelétricas, é ainda menor.

Foram dez emissões de complexos eólicos, somando R$ 636,8 milhões, nenhuma de bioenergia ou solar e algumas poucas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). 

O próximo leilão de energia exclusivo para fontes renováveis está marcado para 16 de dezembro, com a negociação de projetos das fontes solar e eólica. 
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