11/03/2018

Geração distribuída atrai brasileiros

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Industriatividade 

A matriz energética brasileira é sustentada basicamente pela geração hidrelétrica. Ou seja, cerca de 70% do que se consome no Brasil advém do que é gerado nas usinas pela força das águas dos rios.

Entre as vantagens dessa fonte estão o melhor custo, a baixa emissão de poluentes e o fato de ser renovável. Dados do governo apontam que, até 2030, essa modalidade de geração deverá cair – por insuficiência do potencial – para próximo de 65%, pois, mesmo renovável, já se antecipa que, em algum momento no futuro, a água começará a se esgotar.

De outra parte, a geração hidrelétrica é questionada nos grandes projetos, visto que uma usina causa uma série de impactos devido à área alagada que gera e suas consequentes alterações no meio ambiente e entorno. Estudiosos alegam que os impactos ambientais são irreversíveis e, muitas vezes, podem ser mais prejudiciais que os benefícios de utilizar uma fonte renovável.

Não bastasse esta situação, há que se considerar que o regime de chuvas no Brasil é inconstante. De tempos em tempos os níveis dos reservatórios de água caem drasticamente em quase todo o país.

Ao lado dessa situação, aflora a questão do fornecimento de energia elétrica. Com os rios registrando cotas muito baixas, as barragens das usinas começam a encontrar dificuldades para sustentar as turbinas de geração.

Ou seja, o Brasil tem que remodelar com urgência sua matriz energética, de forma a dependermos cada vez menos do regime de chuvas para a geração de energia elétrica.

Dentre as alternativas de geração conhecidas, uma das que mais tem atraído a atenção dos investidores privados e consumidores é a solar fotovoltaica, pois oferece a possibilidade das pessoas gerarem sua própria energia, a denominada microgeração distribuída.

Um estudo da consultoria Boston Consulting Group aponta que a geração distribuída já é uma realidade no Brasil, e deve apresentar um alto crescimento nos próximos anos, devido à irradiação solar e os incentivos para usuários adotarem essa solução.

Neste contexto, seria importante que o Brasil tivesse um programa robusto de estímulo à geração de energia solar – aproveitando sua condição natural de país tropical e ensolarado, afirma Rodrigo Sauaia, presidente executivo da ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

“Estamos uns 15 anos atrasados em relação à China, Japão e Alemanha – atualmente, os países que mais investem nesse tipo de energia renovável, mesmo sem a exposição solar que temos por aqui”. Segundo ele, essa é a forma de produção de energia que mais cresce no mundo, tanto que, nos Estados Unidos, a modalidade já cria mais empregos do que a indústria de óleo e gás.

“No Brasil, o setor também vive um momento de expansão. No ano passado, o número de instalações de sistemas fotovoltaicos cresceu mais de 100%. Apesar disso, estamos abaixo do potencial energético que podemos produzir”, destaca Sauaia.

Um recente mapeamento feito pela ABSOLAR indica que os avanços no Brasil são resultado tanto da inauguração de grandes usinas fotovoltaicas quanto da adesão de consumidores individuais ao novo sistema. As usinas, que formam a chamada geração centralizada, foram contratadas pelo governo federal em leilões de energia elétrica realizados em 2014 e 2015 e estão localizadas, em grande parte, no Nordeste. A geração distribuída, por sua vez, é a que engloba os consumidores individuais, empresas, comércio e indústrias. Atualmente, há 20 mil sistemas fotovoltaicos em operação no país.

Potencial futuro – A estimativa da ABSOLAR, feita com base numa projeção da EPE – Empresa de Pesquisa de Energia -, ligada ao governo federal, é que o país terá em 2024 mais de 1 milhão de sistemas fotovoltaicos em funcionamento. Em 2030, o objetivo é alcançar 25 GW de capacidade instalada por meio de investimentos de mais de 125 bilhões de reais.

“Pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência no ano passado mostra que 89% dos brasileiros desejam gerar energia renovável em casa. Mas, para isso, o setor precisa vencer uma série de obstáculos, como a falta de uma política industrial eficiente para estimular a fabricação dos componentes fotovoltaicos no país, a escassez de linhas de crédito para aumentar a adesão do consumidor e a elevada carga de impostos”, diz Rodrigo Sauaia.
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