16/08/2018

Geração distribuída pode ajudar na redução de custos das empresas

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Jornal do Comércio

O uso de energia renovável e geração distribuída pode colaborar para diminuir os custos das empresas, segundo especialistas reunidos ontem no 2º Fórum de Geração Distribuída de Energia com Fontes Renováveis. Promovido pela Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), em parceria com o Senai-RS e o Sebrae-RS, o evento tem o objetivo de oferecer aos empresários gaúchos - além de alternativas de usufruto de energia - um novo mercado de atuação.

"A geração distribuída é hoje uma nova fonte que tem sido utilizada por grande parte das indústrias para baixar custos, e isso está se disseminando em uma velocidade muito grande", justifica o coordenador do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da entidade, Ricardo Portella Nunes. Com mais produtividade, a possibilidade de criar novos empregos também aumenta, destaca. "São tecnologias mais baratas, e que estão no rol do que existe de mais moderno no mundo."

Regulamentada no Brasil em 2012 por meio da Resolução Normativa nº 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a geração distribuída de energia é aquela na qual o próprio consumidor passa a produzir a sua eletricidade. De acordo com o presidente da Associação Gaúcha de Pequenas Centrais Hidrelétricas (Agpch), Luiz Antônio Leão, existem muitas oportunidades nesta área, que cresce no País a partir de fontes como eólica, fotovoltaica, biogás/biomassa e micro ou mini-hídrica. Ele informa que o Rio Grande do Sul possui 50 Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) operando atualmente, suprindo cerca de 400 mil consumidores. "Essa quantidade deve triplicar, pois já temos 61 novas CGHs (com potências maiores, de até 5 MWZ), que estão viabilizadas ambientalmente junto ao governo do Estado, sendo que 20 licenças foram emitidas desde o ano passado." A maioria deve operar na Metade Norte do Rio Grande do Sul, completa o dirigente.

Leão ressalta que o Rio Grande do Sul é importador de energia, e por isso é "tão importante" aproveitar todas as fontes renováveis existentes, fomentando também a geração de emprego e renda. "As CGHs têm uma durabilidade que as torna bastante competitivas: enquanto uma usina desse tipo funciona 80 anos, as demais têm um tempo de vida útil que alcança no máximo entre 25 e 30 anos." No primeiro semestre de 2018, o número de conexões com micro e minigeração de energia distribuída ultrapassa 20 mil instalações no Brasil, com atendimento a 30 mil unidades consumidoras.

"Isso dá uma potência instalada de 247,30 MW, suficiente para abastecer 367 mil residências", calcula Portella. O dirigente observa que o ganho de importância do segmento nos últimos anos fica comprovado com o seu crescimento no País: entre 2015 e 2017, mais de 80% dos sistemas foram instalados. Até o final de 2016, 79% da geração distribuída brasileira estava em residências; 16%, em pontos comerciais; e 5%, em indústrias, imóveis rurais e no poder público. Em sua palestra sobre o tema, o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Lopes Sauaia, defendeu que essa fonte renovável pode ser um grande eixo (econômico, social e ambiental) de desenvolvimento para o Estado, trazendo mais eficiência para a aplicação dos recursos públicos - incluindo energia solar fotovoltaica em escolas, hospitais, postos de saúde, entre outros.

Convênio facilita uso de energia solar fotovoltaica

A energia fotovoltaica representa menos de 1% da energia elétrica em todo o País. "Este segmento precisa ser acelerado: estamos bem aquém de países que têm a metade de nosso recurso solar, como a Alemanha, o Japão e o Reino Unido", alerta o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Lopes Sauaia. Para o dirigente, é preciso que não somente o governo do Estado, mas também as prefeituras de cidades gaúchas tomem medidas objetivas para que se tenha mais oportunidades neste sentido.

O presidente da ABSOLAR chama atenção para o potencial de geração de empregos do setor: "Entre junho de 2017 e 2018, a energia fotovoltaica gerou mais de 20 mil empregos, quase 10% dos empregos líquidos criados no Brasil - e nossa meta é promover 1 milhão de novos postos de trabalho até 2030". Segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, o Rio Grande do Sul tem potencial bastante elevado na Região Oeste, com capacidade para gerar uma grande quantidade de energia com essa fonte renovável.

"Visando reduzir despesas e aumentar receitas das empresas", de acordo com o presidente da Coinfra, a Fiergs assinou convênio com as empresas Engie e WEG, criando o Programa Indústria Solar RS, voltado para indústrias do Rio Grande do Sul.
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