22/02/2016

Potencial da energia solar ainda é subutilizado no país

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O Tempo 

A participação da energia solar no sistema elétrico brasileiro ainda é tão pequena, 0,02%, que até a energia nuclear, representada pelas usinas de Angra 1 e Angra 2, é 70 vezes maior, ou 1,4% da capacidade instalada. Os dados são do resumo geral dos novos empreendimentos de geração elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica Nacional (Aneel) que engloba a geração até dezembro de 2015. O documento ainda informa que apenas em 2018 a energia solar vai aumentar sua participação no Sistema Integrado Nacional (SIN). Atualmente, são 34 usinas solares com capacidade de gerar 21 MW. Até 2018, porém, estão programados para entrar em funcionamento 41 empreendimentos fotovoltaicos, que vão aumentar em 1.172 MW essa participação. Mesmo assim, a energia solar ainda não deverá empatar com a nuclear, pois a produção das usinas de Angra dos Reis é hoje de 1.990 MW.

Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) Rodrigo Lopes Sauaia, a expectativa do setor é que a energia solar alcance 4% da participação no SIN até 2024. Ele ainda cita o acordo assinado pelo governo brasileiro na Conferência Mundial sobre o Clima (COP-21), que determina que a matriz energética do país terá 23% das fontes renováveis solar, eólica e biomassa, até 2030.

Mesmo com esses avanços, o potencial da energia solar ainda é subutilizado. “A energia solar no Brasil tem um potencial de geração que é maior do que a soma do potencial de todas as outras fontes de energia renováveis juntas”, afirma Sauaia. Segundo o presidente, o potencial hídrico brasileiro é de 280 Gigawatts (GW), o eólico é de 300 GW, e o solar ultrapassa 10 mil GW. “Se usássemos células fotovoltaicas nos telhados brasileiros, a geração seria 2,5 vezes a necessária para abastecer todos os domicílios do país”, diz Sauaia.

Para o diretor da Sunlution, empresa que desenvolve projetos de energia solar, Orestes Gonçalves Junior, o investimento em energia solar demorou a chegar. “(O governo federal) demorou para começar a incentivar a energia solar, começou há três anos. Na energia eólica, esse incentivo vem de dez anos atrás”, avalia. Para Gonçalves Junior, “o incentivo agora chegou. Mas ainda poderia ser mais agressivo”, opina. Nesse quesito, o diretor diz que o mais importante seria o governo aumentar os financiamentos na área. “O governo poderia aumentar o acesso ao financiamento para acelerar esse processo”, afirma.

Execução é mais rápida

A média para construir uma usina solar fotovoltaica é de seis meses, segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Já uma usina nuclear tem prazo de 66 meses para ficar pronta.

“Além de ser de rápida instalação, a usina fotovoltaica tem um impacto ambiental muito menor que as outras fontes de energia”, explica o presidente da ABSOLAR Rodrigo Lopes Sauaia.

Desenvolvedores de geradores crescem quatro vezes no ano

Se a energia solar ainda cresce a passos lentos na matriz energética nacional, empresas que desenvolvem micro e pequenos geradores de energia solar estão faturando alto. A Blue Sol energia solar quadruplicou o número de projetos de micro e minidistribuidoras em 2015. “Em janeiro do ano passado, tínhamos 400 projetos contratados. Em dezembro de 2015, já eram 1.600”, comemora o sócio diretor da empresa, Nelson Colaferro. A expectativa para 2016 é crescer o faturamento de três a quatro vezes frente 2015.

O avanço, segundo o diretor, é explicado inclusive pelas alterações legislativas ocorridas no ano passado positivas para o setor. Entre elas, ele destaca a redução dos prazos de conexão dos geradores e a possibilidade de condomínios dividirem a energia gerada nos pequenos distribuidores.

O diretor da Sunlution, Orestes Gonçalves Junior, também destaca o aumento da capacidade de pequenos geradores de 1 megawatt (MW) para 5 MW. Gonçalves Junior ainda destaca como os projetos menores podem significar economia para todo o sistema. “Se todo mundo tivesse um gerador de energia solar, a Cemig, por exemplo, não ia precisar buscar energia lá em Belo Monte, no Norte do país. Não teria que construir os linhões. Cai um linhão, tem que construir de novo. O custo é altíssimo de distribuição”, avalia. 
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