15/09/2020

Solar e eólica podem ultrapassar carvão e gás em 2040

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Brasil Energia 

Já a eletricidade deve ampliara a participação no uso final de energia de 23% para pelo menos 34% até 2050, prevê novo BP Energy Outlook

As fontes solar e eólica poderiam ultrapassar o carvão e o gás natural em participação na matriz elétrica global ainda nesta década, se fossem adotadas políticas de emissão zero para o setor de energia. Esse é o cenário Net Zero do BP Energy Outlook 2020. Mesmo no cenário business as usual, em que não há mudanças políticas e regulatórias, renováveis (incluindo ainda biomassa e geotérmica) correspondem a 75% da expansão prevista até 2050 – no Net Zero, toda a capacidade adicional é renovável.

O principal combustível a perder terreno é o carvão, com a participação na geração global caindo de 38% em 2018 para menos de 20% em 2050, no business as usual, e para 3% em 2050 nos cenários de transição acelerada, com incentivos políticos e regulatórios (Rapid) e Net Zero.

O uso de gás para geração elétrica deve aumentar amplamente, seguindo o aumento da demanda geral de energia, no cenário business as usual. Já no cenário Rapid, ganhando o espaço deixado pelo carvão, o gás cresce apenas até 2030, mas cai para perto de seu nível de 2018 em 2050, à medida que o uso de energias renováveis ??acelera. O crescimento inicial do gás no Net Zero é mais curto e o declínio subsequente mais acentuado.

Em 2050, cerca de metade do gás natural usado para gerar energia no Rapid e cerca de 90% no Net Zero é usado em conjunto com captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS). As mudanças na mistura de combustível, combinadas com o uso crescente de CCUS, significam que a intensidade de carbono da geração de energia cai em mais de 90% no Rapid, em comparação com apenas 50% no business as usual.

Como resultado, apesar do aumento substancial na geração de energia, as emissões de carbono do setor de energia cairiam em mais de 80% no Rapid, em comparação com apenas 10% no business as usual. No Net Zero, o uso de bioenergia combinada com CCUS (BECCS) significa que as emissões líquidas de CO2 do setor de energia seriam negativas em 2050.

Com o custo crescente de equilibrar a intermitência das fontes eólica e solar, o ritmo de penetração dessas renováveis desacelera quando sua participação na matriz global fica acima de 50%, nos três cenários do estudo.

Eletrificação

Enquanto a demanda por petróleo deve permanecer em queda até a metade do século, a participação da eletricidade no consumo deve aumentar continuamente, em todos os cenários previstos no BP Energy Outlook 2020. De aproximadamente 23% em 2020, com a eletrificação da energia, a eletricidade passará corresponder a 34% do uso final da energia, no cenário business as usual, até 2050. Considerando um cenário de transição acelerada (Rapid), essa participação iria para 45% no período e, no cenário emissões zero (Net Zero), para 52%.

No consumo total de eletricidade, entretanto, não há tanta diferença entre os três cenários, com uma previsão de crescimento de pouco menos de 2% ao ano, em todos os casos.

A maior parte do crescimento da demanda de eletricidade nos três cenários é impulsionada pelos mercados emergentes, liderados pelos países em desenvolvimento da Ásia (China, Índia) e da África, já que o aumento da prosperidade e dos padrões de vida sustentam o maior consumo de eletricidade.

O aumento no uso de eletricidade nos cenários Rapid e Net Zero é observado nos três setores (indústria, transporte e edifícios) da economia, com ao uso no setor de transporte aumentando mais fortemente à medida que o transporte rodoviário é eletrificado.

Em contraste, os ganhos mais lentos em eficiência energética nos edifícios e na indústria em BAU significam que estes setores representam cerca de 80% do crescimento da procura de energia, com um aumento mais moderado nos transportes.
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