18/12/2017

Usinas solares predominam em leilão de energia desta segunda

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Folha de S. Paulo

Foram contratados 228,7 megawatts médios de garantia física, com previsão de investimento de R$ 4,3 bilhões até 2021, data de entrega dos empreendimentos.

Na quarta-feira (20), um novo certame será realizado, e a previsão é que o volume contratado seja consideravelmente superior –mais de 1 gigawatt médio, segundo projeção da diretora-executiva da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini.

A fonte solar foi a mais contemplada por este primeiro leilão, com 20 dos 25 empreendimentos, e chamou a atenção pelos preços bem mais competitivos que em 2015, no último leilão em que a fonte participou.

À época, o preço da energia girava em torno de R$ 297 por MWh (megawatts-hora), valor que caiu para cerca de R$ 145 MWh, com deságio de 55,7%.

Já era esperado que a fonte solar fosse priorizada nesta concorrência, porque ficou de fora do leilão de quarta-feira, segundo empresários.
"Foi uma forma de equilibrar as fontes na concorrência. Sem dúvida, no próximo, as eólicas vão ter maior espaço", afirmou a diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini.

Nos últimos meses, a indústria de energia solar até tentou negociar sua inclusão na segunda concorrência, mas sem sucesso. O argumento usado contra a participação é que o segundo leilão terá um prazo de entrega até 2023, dois anos a mais que o desta segunda. Como a tecnologia solar ainda tem um grau baixo de maturação, contratar uma usina a um prazo tão longo seria muito imprevisível.

O setor comemorou o leilão desta segunda, mas avaliou que o volume contratado é insuficiente para incentivar a indústria –ainda incipiente no Brasil–, segundo Rodrigo Sauaia, presidente da ABSOLAR (associação do segmento).

No leilão, foi contratada uma potência de 574 megawatts de energia solar, enquanto o patamar pleiteado pelo setor é de 2.000 megawatts por ano.

O total de projetos contemplados tampouco resolve o grande estoque de projetos do segmento, que se acumulam há cerca de dois anos, após o cancelamento do leilão de renováveis em 2016. Nesta concorrência, foram 574 os empreendimentos solares cadastrados.

"O resultado foi bastante importante e positivo, mas o total contratado ficou abaixo do esperado", disse Sauaia.

Com uma fatia de apenas 4% dos projetos contratados, o setor das pequenas hidrelétricas (PCHs) também se queixou do resultado.

"É difícil justificar uma parcela tão baixa das pequenas hidrelétricas, que reúne microempreendedores que precisam de apoio, e que não tem intermitência como as fontes solar e eólica", afirmou Paulo Arbex, da Abrapch (associação do setor).

Para um empresário do setor eólico, os volumes de contratação ficarão longe do ideal para todas as fontes, mas é preciso trabalhar com a situação atual, e a perspectiva é de retomada.

O nível de contratação de energia é definido pelas distribuidoras, que se comprometem a comprar das usinas por um prazo de 20 a 30 anos. Sem uma garantia de que haverá necessidade dessa energia, as empresas ficaram cautelosas e contrataram pouco.

Neste leilão, apenas sete distribuidoras participaram, e a maior parte da energia foi comprada pela CEA (Amapá), CEAL (Alagoas) e Copel D (Paraná).

No certame de quarta-feira, a perspectiva é que os volumes sejam maiores porque o prazo de entrega das usinas é mais longo, de seis anos. Até 2023, a expectativa é que o consumo de energia no país já tinha se recuperado e haverá uma demanda maior. 
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